Esses dias eu revi esse filme incrível e não pude deixar de
comentar minha opinião; a única dentre as centenas que possivelmente esta obra
pode ter. Começando pelo geral: um filme mal feito, obviamente. Mas estamos
falando de produção, não de enredo. Se for por enredo, este filme é uma obra de
arte criada por uma mente incrivelmente filosófica e enigmática.
Mostrado nessa película um mundo pós-apocalíptico, destruído
e "reconstruído" por seus próprios habitantes, depois da Terra ter
dado tanto e nunca restribuída, uma hora acaba, não?
Vendo precisamente os lados cruciais desse filme, ele tenta
explicar em cada pista o que o homem é em si e como deve aceitar e como nunca
poderá fugir de suas consequências, do próprio jeito de ser e existir. Até os
chamados "replicantes" fazem parte deste círculo, mesmo criados
artificialmente, são uma cópia tão perfeita do Homem que é impossível
excluí-los deste vínculo pois terão o mesmo fim supérfluo.
O próprio Caçador de Andróides é o mistério central: de onde
ele veio? Como começou neste ramo? O que levou a isso?
Talvez a ideia de colocar Deckard como um ser humano longe
de ser perfeito, mas necessário para tais missões, fosse além do que realmente
achamos que seja, do que achamos que é.
O filme traz pistas sobre este mistério. A vida, de acordo
com ele, é imperfeita e até grotesca, mas trabalhando junta se torna funcional
e até suportável, fazendo o mundo girar. Deckard é exemplo disso e cabe a nós,
quem assiste ao filme, descobrir quem este homem é de verdade para suportar
tudo o que é lhe proporcionado, muitas vezes contra sua própria vontade, como
um escravo até. Bom, os replicantes não eram usados de forma controlada, além
de suas próprias vontades?
Na mente do brilhante Ridley Scott, baseado num pequeno
conto futurista, um cenário com seus próprios dilemas, personagens incertos e
todo um drama filosófico veio até nós para fazer-nos refletir em como o homem
devia olhar para si mesmo e saber se ele é aquilo que realmente sonhou em ser e
se foi capaz de construir, senão, aceitar o que lhe foi dado.
Pode ter efeitos e cenografia bastante pobres, mas a obra em
si já é de encher os olhos, vale a pena voltar ao futuro.

